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June 25 uma manha pensando o amor“O que é o amor... Onde vai dar... Parece não ter fim...” Não tenho resposta para estas perguntas. Não sei definir o amor, mas sei todos os seus sintomas. Tenho convivido com ele desde tanto tempo... O que ele é? Para onde nos leva? Saber, quem haveria de? Uma sensação agradável? Nem tanto? Seria, no dizer de Camões: “É um fogo que arde sem se ver, É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer”? * Penso no meu amor. Como nos conhecemos. Na festa e na alegria que é cada reencontro. O meu amor mora em mim, mas não mora perto de mim. Não vivemos na mesma cidade, sequer no mesmo estado. O que não me impede de amá-la e ser amado com intensidade e força que, se fosse transformada em energia, daria para iluminar um município inteiro. Às vezes, nossa relação tem nuvens pesadas; às vezes, como agora, brilha sobre nós um céu de brigadeiro. * ![]() Ouço a canção, penso em quem amo e reflito sobre este sentimento louco de que nenhum ser humano é isento. No amor cabem todas as palavras do dicionário, todas as conjugações de verbos. Mas cabem também silêncios, cumplicidades sem que nenhuma letra sequer seja pronunciada. Ter quem amamos nos braços é sensação que não se consegue descrever no limitado reino das palavras ditas ou escritas. Da mesma forma, sofrer por amor, não cabe em poemas, por mais lindos, por mais profundos que sejam. Nenhum mal de amor está contido inteiramente nas palavras. É como tentar colocar a Via Láctea num copo de geléia. E mesmo assim, tentamos expressar nosso amor, ou falta dele, alinhando letras, uma depois da outra, como pedras de dominó. * ![]() Pois que sentimento é esse que nos faz acreditar em algo de mágico acontecendo quando temos o nosso ser amado num terno abraço? E ao nos separarmos, sentimos que deixamos nele o nosso coração, trazendo em nosso peito o dele... E que uma canção ouvida num despertar matinal põe nossos olhos naquele espaço vago da cama, desejando que ele não estivesse vazio naquele instante... |
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